
Nascido Joaquim Lúcio Cardoso Filho, Lúcio Cardoso foi romancista, dramaturgo, jornalista e poeta brasileiro, distinguido pela Academia Brasileira de Letras com o Prémio Machado de Assis, em 1966, pelo conjunto da sua obra. O seu romance maior, Crónica da Casa Assassinada (1959), é um dos títulos mais cultuados da literatura brasileira, traduzido para francês, italiano e inglês.
Ao lado de Otávio de Faria, Cornélio Pena e Vinícius de Moraes, integra o grupo de autores que consolidou, no Brasil dos anos 1930, uma literatura de carácter intimista e introspectivo. Embora frequentemente associado à literatura psicológica, iniciou-se com romances de cunho sociológico, como Maleita (1934) e Salgueiro (1935), mudando decisivamente de rumo com Luz no Subsolo (1936). A partir daí, a sua obra passou a centrar-se no questionamento da condição humana e de valores como o bem e o mal, em romances como Mãos Vazias e Dias Perdidos e em novelas como O Enfeitiçado e Baltazar.
A escrita de Lúcio Cardoso introduziu na literatura brasileira um mergulho profundo no indivíduo moderno, privilegiando conflitos interiores e dilemas existenciais em detrimento da crítica social direta. Exerceu influência decisiva sobre Clarice Lispector, de quem foi amigo e mentor, contribuindo para a ampliação das suas possibilidades literárias.
Nas décadas de 1940 e 1950, colaborou intensamente com a imprensa e destacou-se como autor teatral, com peças como Angélica, A Corda de Prata e O Filho Pródigo. O teatro conduziu-o ao cinema: escreveu o argumento de Almas Adversas (1949) e realizou o inacabado A Mulher de Longe, mais tarde tema de um documentário de Luiz Carlos Lacerda (2012).
Em 1962, um acidente vascular cerebral impediu-o de continuar a escrever. Passou então a dedicar-se à pintura e realizou duas exposições. Morreu aos 56 anos, vítima de um segundo acidente vascular cerebral.


