Lúcio Cardoso


Lúcio Cardoso - (1912-1968)

Nascido Joaquim Lúcio Cardoso Filho, foi romancista, dramaturgo, jornalista e poeta brasileiro, reconhecido pela Academia Brasileira de Letras, que lhe conferiu, em 1966, o Prémio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. A sua obra-prima “Crônica da Casa Assassinada” (1959) é um dos livros mais cultuados da literatura brasileira, tendo sido traduzido para o francês, italiano e inglês.

Junto com os romancistas Otávio de Faria (1908-1980) e Cornélio Pena (1896-1958) e o poeta Vinícius de Moraes (1913-1980), Lúcio Cardoso é considerado um dos expoentes da literatura de cunho intimista e introspetiva que despontou no Brasil na década de 1930. Embora a sua escrita costume ser associada à chamada literatura psicológica, iniciou a sua carreira com dois romances de cunho sociológico, “Maleita” (1934) e “Salgueiro” (1935), com marcada mudança de rumo em “Luz no Subsolo” (1936). A sua literatura, a partir de então, prioriza o questionamento da condição humana e dos valores como o bem e o mal, como nos romances “Mãos Vazias” e “Dias Perdidos” e nas novelas “O Enfeitiçado” e “Baltazar”, dentre outras da década de 1940. A sua obra inaugurou na literatura brasileira um mergulho no cerne do indivíduo moderno, em que os dramas, as dúvidas e os questionamentos existenciais sobrepujam-se à descrição naturalista ou à crítica social. A literatura de Cardoso teria imenso impacto sobre a obra de Clarice Lispector (1920-1977), de quem foi amigo, mentor e cuja relação com Cardoso abriu-lhe novas possibilidades profissionais e literárias, que fizeram com que ela passasse então a escrever e publicar prolificamente.

Ao longo das décadas de 1940 e 1950, Cardoso manteve colaboração ativa com a imprensa. Essa época marcou também sua atuação mais intensa como autor teatral, com peças como “Angélica”, “A Corda de Prata”, e “O Filho Pródigo”. O envolvimento com o teatro abriu caminho para a sua verdadeira paixão, o cinema. Em 1948, Cardoso escreveu o roteiro para o filme “Almas Adversas” (1949), dirigido por Leo Marten, e, no ano seguinte, escreveu e dirigiu “A Mulher de Longe”, longa-metragem inacabado, que foi tema do documentário do mesmo nome, realizado em 2012 por Luiz Carlos Lacerda.

Em 1962 teve um acidente vascular cerebral, que paralisou o lado direito do seu corpo, impedindo-o de escrever. Passou então a dedicar-se com afinco à pintura e chegou a realizar duas exposições ainda em vida. Morreu aos 56 anos, vitimado por um segundo AVC.



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